Com a larga escala de produção de material sobre plantação de igrejas, conferências e treinamentos, corremos o risco de acreditar que já adquirimos know-how o suficiente para esta árdua tarefa. Por mais que tenhamos tantos recursos, precisamos sempre nos lembrar das dimensões deste trabalho (Mateus 9.35-38). Trazendo a memória a compaixão de Jesus pelas pessoas em cidades e povoados por onde passou pregando o evangelho, percebemos a grandeza do campo missionário que temos que encarar, como trabalhadores no Reino de Deus. Talvez a maior falha que cometemos é considerar algumas coisas óbvias demais e simplesmente negligencia-las. É aí que se apresentam verdadeiras armadilhas:

NÃO ORAR - Plantação de Igrejas é um assunto recorrente de forma massiva, entre igrejas/denominações que tem uma considerável atenção à teologia. Lamentavelmente, a dicotomia que contamina a mente de muitos líderes, coloca esse aspecto basilar da vida missional nas últimas raias de prioridade. Patrick Johnstone afirma que “quando o homem trabalha, o homem trabalha. Quando o homem ora, Deus trabalha.” - ATOS 13.2-3 “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.”

NÃO PLANEJAR - Um outro risco da dicotomia e é o de espiritualizar questões práticas da plantação. Pesquisar e compreender o contexto da cidade, são tarefas intransferíveis do plantador, tanto quanto, pensar em estratégias que envolvem números, temas para os sermões, mobilização de irmãos, levantamento de recursos financeiros, etc. Rubens Muzio diz: “Se desejarmos ver o Brasil influenciado pelo evangelho, com igrejas localizadas estrategicamente ao alcance de todo brasileiro, necessitamos tomar conhecimento de quem somos, onde estamos, qual o nosso potencial, até onde temos avançado, para onde estamos indo e assim por diante.”- ATOS 1.8 “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra".

NÃO EVANGELIZAR - É impressionante como muitos plantadores olham para o grupo base apenas como mobilização de evangélicos e não se comprometem com a pregação do Evangelho aos perdidos. Vale lembrarmos do conselho de Ronaldo Lidório: “Se desejarmos plantar igrejas, a macro-estrutura para subsistência missionaria como transporte, mobilidade, comunicação, moradia e capacitação será de grande cooperação para o processo final. Entretanto, o fator determinante será a presença de abundante evangelização.” -  ATOS 11.19-21 “Os que tinham sido dispersos por causa da perseguição desencadeada com a morte de Estêvão chegaram até à Fenícia, Chipre e Antioquia, anunciando a mensagem apenas aos judeus. Alguns deles, todavia, cipriotas e cireneus, foram a Antioquia e começaram a falar também aos gregos, contando-lhes as boas novas a respeito do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos creram e se converteram ao Senhor.”

NÃO COMUNICAR - Essencialmente o evangelho! Não podemos confundir evangelização com uma infinidade de inovadoras e criativas proclamações que não apontam para Cristo. Nossa comunicação deve ser Cristocêntrica, valor inegociável numa plantação de igreja. Darrin Patrick é certeiro ao afirmar que: “A melhor forma de comunicar o Evangelho como Igreja, é fazer todas as nossas atividades radicalmente orientadas para glorificar a Deus.” - ATOS 5.42 “Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo.”

NÃO DISCIPULAR - Por saber que o conceito de discipulado ficou desgastado ao longo dos anos, muitos evitam falar em discipulado e se contentam apenas com métodos, apostilas e cursos. O discipulado centrado no evangelho ensina, treina, delega e envia discípulos em missão. O influente missiólogo britânico Michael Green constata que “o discipulado na igreja primitiva era intencional no preparo de homens e mulheres que pudessem evangelizar e plantar novas comunidades cristãs.” - ATOS 11.26 “Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos.” 

NÃO SERVIR - Quando formamos discípulos, estamos enviando pessoas em missão de paz para cidades que dão as costas para Deus. Se lembrarmos do legado de Calvino, vemos que a igreja plantada em Genebra não foi um fim em si mesmo, o que ele planejou e executou foi ver aquela cidade tornando-se na cidade Deus, vendo a Palavra pregada influenciando todos os aspectos da sociedade. Tim Keller diz que: “Os cristãos não precisam ser estridentes e condenatórios em sua linguagem ou atitude, mas também não devem se calar a respeito das raízes bíblicas de sua paixão por justiça.” - ATOS 6.1-3 “Naqueles dias, crescendo o número de discípulos, os judeus de fala grega entre eles queixaram-se dos judeus de fala hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento. Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: “Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa”

João Costa


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